Citações Fraudulentas no Livro A Vida — Qual a Sua Origem? A Evolução ou a Criação?

Jan Haugland


Citação

A Vida -- Qual a Sua Origem? A Evolução ou a Criação? (1985), p. 15:

4 A revista científica Discover (Descobrir) pôs a situação no seguinte pé: "A evolução ... não está sob ataque apenas de cristãos fundamentalistas, mas também é questionada por cientistas de grande reputação. Entre os paleontólogos, cientistas que estudam os fósseis, há crescente discordância quanto ao conceito prevalecente do darwinismo."

Fonte

James Gorman, "The Tortoise or the Hare?" [A Tartaruga ou a Lebre?], Discover, outubro de 1980, p. 88:

"A brilhante teoria da evolução, publicada em 1859, teve um impacto impressionante sobre o pensamento científico e religioso e mudou para sempre a percepção do homem sobre si mesmo. Agora essa teoria reverenciada não está sob ataque apenas de cristãos fundamentalistas, mas também é questionada por cientistas reputados. Entre os paleontólogos, cientistas que estudam os fósseis, há crescente discordância quanto ao conceito prevalecente do darwinismo.... A maior parte do debate centra-se numa questão chave: O processo da evolução, de três biliões de anos, arrasta-se a um ritmo constante ou é marcado por longos períodos de inatividade pontuados por pequenas explosões de mudança rápida? A evolução é uma tartaruga ou uma lebre? A opinião de Darwin, amplamente aceite -- segundo a qual a evolução processa-se de forma constante, rastejando -- favorece a tartaruga. Mas dois paleontólogos, Niles Eldredge, do American Museum of Natural History [Museu Americano de História Natural] e Stephen Jay Gould, de Harvard, estão apostando na lebre."

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A Vida -- Qual a Sua Origem? A Evolução ou a Criação? (1985), p. 18:

12 Darwin admitiu que isto era um problema. Por exemplo, escreveu: "Parece impossível ou absurdo, reconheço-o, supor que a [evolução] pudesse formar a visão."

Fonte

Charles Darwin, The Origin of Species [A Origem das Espécies], 1859, p. 133:

"Supor que o olho com todos os seus dispositivos para ajustar o foco a distâncias diferentes, para admitir quantidades de luz diferentes, e para a correção de aberração esférica e cromática, podia ter sido formado pela seleção natural parece, confesso livremente, absurdo no mais alto grau. Quando foi dito pela primeira vez que o sol estava parado e o mundo girava à sua volta, o senso comum da humanidade declarou que essa doutrina era falsa; mas conforme todos os filósofos sabem, em ciência não se pode confiar no velho lema Vox populi, vox Dei. A razão diz-me que se for possível mostrar que existem numerosas gradações desde um olho simples e imperfeito até um olho complexo e perfeito, cada gradação sendo útil para o seu possuidor, como certamente é o caso; se, além disso, o olho alguma vez variar e as variações forem herdadas, como certamente também é o caso; e se tais variações forem úteis para qualquer animal sob condições de vida em mudança, então a dificuldade em acreditar que um olho perfeito e complexo podia ser formado por seleção natural, embora insuperável pela nossa imaginação, não devia ser considerada como subversiva da teoria."

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A Vida -- Qual a Sua Origem? A Evolução ou a Criação? (1985), p. 39:

5 Neste ponto, um leitor talvez comece a entender o comentário de Dawkins no prefácio de seu livro: "Este livro deve ser lido quase como se fosse ficção científica."

Fonte

Richard Dawkins, The Selfish Gene [O Gene Egoísta], 1976, p. ix:

"Este livro deve ser lido quase como se fosse ficção científica. Foi concebido para apelar à imaginação. Mas não é ficção científica: é ciência. Cliché ou não, "mais estranho do que a ficção" expressa exatamente os meus sentimentos acerca da verdade."

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A Vida -- Qual a Sua Origem? A Evolução ou a Criação? (1985), p. 42:

Explica o químico Richard Dickerson: "Por conseguinte, é difícil de ver como a polimerização [a reunião de moléculas menores para formar outras maiores] poderia ter ocorrido no ambiente aquoso do oceano primevo, uma vez que a presença da água favorece a depolimerização [desintegração das moléculas maiores em moléculas mais simples], em vez de a polimerização."

Fonte

Scientific American, setembro de 1978, p. 75.

A frase a seguir à citada acima é: "Teremos de enfrentar esta dificuldade." E é isso que ele faz, sendo esse o propósito do resto do artigo.

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A Vida -- Qual a Sua Origem? A Evolução ou a Criação? (1985), p. 46:

23 O químico Dickerson também teceu o seguinte comentário interessante: "A evolução do mecanismo genético é o passo para o qual não existem modelos de laboratório; assim sendo, a pessoa pode especular infindavelmente, sem se importar com fatos inconvenientes." Mas será bom procedimento científico pôr de lado com tanta facilidade as avalanchas de "fatos inconvenientes"?

Fonte

Scientific American, setembro de 1978, p. 75.

A citação está tecnicamente correta. A aplicação que é feita da citação é muito desonesta. Examine o texto cuidadosamente para ver que isso não passa de um truque de retórica (dica: será que os "fatos inconvenientes" de que Dickerson fala existem realmente?)

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A Vida -- Qual a Sua Origem? A Evolução ou a Criação? (1985), p. 70:

38 Evidentemente, o inquiridor imparcial seria levado a concluir que os fósseis não apóiam a teoria da evolução. Por outro lado, a evidência fóssil deveras fornece forte peso a favor dos argumentos da criação. Como declarou o zoólogo Coffin: "Para os cientistas seculares, os fósseis, evidência da vida no passado, constituem a última e derradeira corte de apelação, porque os fósseis são a única história autêntica da vida disponível à ciência. Se esta história dos fósseis não concorda com a teoria evolucionista -- e vimos que não concorda -- o que ela nos ensina? Ela nos diz que as plantas e os animais foram criados nas suas formas básicas. Os fatos básicos dos fósseis apóiam a criação e não a evolução."

Fonte

O "inquiridor imparcial" descobriria que Coffin é na realidade um young-earth creationist [criacionista que acredita que a terra existe há poucos milhares de anos], e a citação é de um periódico adventista. Não têm credenciais científicas.

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A Vida -- Qual a Sua Origem? A Evolução ou a Criação? (1985), p. 89:

O caçador de fósseis, Donald Johanson, admitiu: "Ninguém pode estar seguro de qual era exatamente a aparência de qualquer hominídeo extinto."

Fonte

Donald C. Johanson e Maitland A. Edey, Lucy -- the Beginnings of Humankind [Lucy -- o Princípio da Humanidade], New York: Warner Books, Inc, 1981, p. 286.

Texto na legenda de uma espécie específica: "Ninguém pode ter a certeza sobre qual era a aparência, com a pele e cabelo, de qualquer hominídeo extinto. Os tamanhos aqui são à escala, com o afarensis cerca de dois pés [60,96 cm] mais baixo do que o ser humano médio."

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A Vida -- Qual a Sua Origem? A Evolução ou a Criação? (1985), p. 96:

38 Antes de concluir que a cronologia bíblica deve estar errada, considere que alguns cientistas criticam acerbamente os métodos de datação radioativa. Certa revista científica fez um relato sobre estudos que mostravam que "as datas determinadas pela decomposição radioativa podem estar equivocadas -- não apenas em questão de anos, mas em ordens de magnitude". Dizia: "O homem, em vez de estar andando pela Terra já por 3,6 milhões de anos, talvez esteja por aqui por apenas alguns milhares [de anos]."

Fonte

Robert Gannon, "How Old Is It?", Popular Science, novembro de 1979, p. 81:

"Portanto, hoje tudo -- artefactos humanos, restos mortais humanos, rochas antigas -- pode ser datado de forma bastante exata. As datas podem estar ligeiramente deslocadas, mas isso é essencialmente uma questão de impurezas na amostra ou necessidade de refinar as técnicas, dizem os cientistas envolvidos. No entanto, subsistem grandes mistérios e anomalias curiosas -- as especulações ímpares avançadas por Robert Gentry da Columbia Union College, por exemplo. O físico Gentry acredita que todas as datas determinadas por decomposição radioativa podem estar equivocadas -- não apenas em questão de anos, mas em ordens de magnitude. A teoria dele gira à volta de "halos", descolorações minúsculas, de forma anelar, encontrados dentro de madeira fossilizada (madeira em vias de se tornar carvão) e mica, freqüentemente na proximidade de urânio ou tório radioativo. Alguns halos podem ser explicados em termos de decomposição radioativa convencional. Outros, conhecidos como halos gigantes, não podem [ser explicados dessa forma]. São simplesmente demasiado grandes para serem causados por partículas alfa libertadas por isótopos conhecidos, e não se encaixam em qualquer teoria aceite. Se a teoria da decomposição radioativa é fraca em um ponto, diz Gentry, é lançada dúvida sobre todas as respostas que os isótopos nos dão. Além disso, quando Gentry estuda halos em madeira fossilizada, ele descobre que os rácios de urânio/chumbo muitas vezes não são de modo algum o que deviam ser. "Como a madeira fossilizada foi obtida a partir de depósitos supostamente com pelo menos dezenas de milhares de anos de idade", diz ele, "o rácio entre urânio-238 e chumbo-206 devia ser baixo." Não é. É tão alto, de fato, que as "idades presentemente aceites podem estar inflacionadas por um fator de milhares." E o homem, em vez de estar andando pela Terra já por 3,6 milhões de anos, talvez esteja por aqui por apenas alguns milhares [de anos]. "A possibilidade de reduzir a história da terra de 4,5 biliões de anos por um fator de mil", diz ele com alguma cólera, "ainda não foi seriamente considerada". A maioria dos cientistas simplesmente rejeita a idéia. Conforme um físico me disse: "Pode acreditar nisso ou não; eu não acredito." "Compreendo que é difícil acreditar", responde Gentry. "Invalidaria todo o princípio subjacente à datação radioativa: que as taxas de decomposição são sempre fixas -- uma assunção não testável."

(Note que a premissa para a conclusão sobre a idade do homem é que aceitemos a idéia de Gentry de que a Terra tem 6.000 anos de idade!)

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A Vida -- Qual a Sua Origem? A Evolução ou a Criação? (1985), p. 143:

5 O zoólogo Richard Lewontin disse que os organismos "parecem ter sido projetados de forma cuidadosa e engenhosa". Ele os considera "a principal evidência de um Projetista Supremo". Será útil considerarmos algumas de tais evidências.

Fonte

Richard C. Lewontin, "Adaptation", Scientific American, vol. 239, setembro de 1978, p. 213:

"A adaptação manifesta entre os organismos e o seu meio é um resultado importante da evolução.... No entanto, as formas de vida são mais do que simplesmente múltiplas e diversas. Os organismos adaptam-se notavelmente bem ao mundo externo no qual vivem. Têm morfologias, fisiologias e comportamentos que parecem ter sido projetados de forma cuidadosa e engenhosa para permitir a cada organismo apropriar-se do mundo à sua volta para a sua própria vida. Era a maravilhosa adaptação dos organismos ao ambiente, muito mais do que a grande diversidade de formas, que era a principal evidência de um Projetista Supremo. Darwin percebeu que para uma teoria naturalista da evolução ser bem sucedida, teria de explicar a aparente perfeição dos organismos e não apenas a sua variação."

(Na minha opinião, esta é uma das piores citações fraudulentas de sempre, e deu às Testemunhas de Jeová muita publicidade desfavorável na Usenet. O próprio Lewontin não ficou muito satisfeito com essa citação fraudulenta.)

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A Vida -- Qual a Sua Origem? A Evolução ou a Criação? (1985), p. 15:

Francis Hitching, evolucionista e autor do livro The Neck of the Giraffe (O Pescoço da Girafa), declarou: "O darwinismo, a despeito de toda a aceitação que goza no mundo científico como o grande princípio unificador da biologia, depois de um século e um quarto, acha-se envolto num surpreendente montão de dificuldades."

A Verdade

Com certeza que Hitching é um autor. Será que ele é um evolucionista? Não o é no sentido de cientista evolucionista. O livro A Bíblia -- Palavra de Deus ou de Homem?, na página 106, até diz que Hitching é um 'cientista' (a fonte desse livro é obviamente o livro A Vida -- Qual a Sua Origem?). De fato, Hitching só freqüentou "escola privada para rapazes em Warwick, Inglaterra". Além disso, ele é um escritor especulativo que se baseia fortemente em escritos criacionistas (veja o ficheiro sobre Hitching no arquivo talk.origins). Pior ainda, ele é um paranormalista que escreve livros sobre a energia das pirâmides, magia da terra, procura de água ou metais usando um pau em forma de Y, investigações psíquicas, etc., etc. Em The Neck of the Girafe [O Pescoço da Girafa] ele ataca Darwin para abrir caminho para suas próprias teorias segundo as quais certas forças mágicas causaram a evolução. Você leria um livro escrito por este autor? Ele é a fonte mais importante do livro A Vida -- Qual a Sua Origem!

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A Vida -- Qual a Sua Origem? A Evolução ou a Criação? (1985), p. 36:

Este geólogo, Wallace Pratt, também observou que a ordem dos eventos -- desde a origem dos oceanos, passando pela emergência do solo seco, até o aparecimento da vida marinha, e daí o das aves e dos mamíferos -- é essencialmente a seqüência das principais divisões do tempo geológico.

A Verdade

Wallace Pratt disse isso numa palestra em 1928. Ele era um young-earth creationist [criacionista que acredita que a terra existe há poucos milhares de anos] que rejeitava toda a evidência científica, e por isso não pode ser usado para apoiar a idéia de que a ciência concorda com a interpretação do livro A Vida -- Qual a Sua Origem sobre Gênesis.

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A Vida -- Qual a Sua Origem? A Evolução ou a Criação? (1985), pp. 36-37:

34 A ciência das probabilidades matemáticas oferece notável prova de que o relato de Gênesis sobre a criação deve ter provindo de uma fonte a par dos eventos. O relato alista 10 principais estágios, na seguinte ordem: [...] A ciência concorda que tais estágios ocorreram nesta ordem geral. Quais são as probabilidades de o escritor de Gênesis ter apenas adivinhado esta ordem? As mesmas que o leitor teria de retirar duma caixa, ao acaso, os números de 1 a 10, em ordem consecutiva. As probabilidades de conseguir isso na primeira tentativa são de 1 em 3.628.800! Assim, não é realístico dizer que o escritor simplesmente alistou, por acaso, os eventos precedentes na ordem certa, sem obter tais fatos de outrem.

A Verdade

A ciência concorda que houve "um princípio" (e que este princípio aconteceu em primeiro lugar!) e que o homem apareceu em último lugar. E é tudo. Para todos os outros 8 pontos, a ciência ou discorda fortemente (e.g., os pássaros não surgiram antes dos répteis) ou não tem dados (no caso das condições atmosféricas primitivas). Veja a Despertai! de 8 de junho de 1991, p. 12, para uma tentativa de resposta [da Sociedade Torre de Vigia].

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A Vida -- Qual a Sua Origem? A Evolução ou a Criação? (1985), p. 44:

18 As proteínas necessárias para a vida possuem moléculas muitíssimo complexas. Qual é a probabilidade de até mesmo uma molécula simples de proteína se formar ao acaso num caldo orgânico? Os evolucionistas reconhecem que é de apenas uma em 10113 (1 seguido de 113 zeros). Mas qualquer acontecimento que tenha uma probabilidade em apenas 1050 é rejeitado pelos matemáticos como jamais ocorrendo.

A Verdade

Ninguém com conhecimentos de matemática ou biologia faria tais declarações. O livro A Vida -- Qual a Sua Origem neste ponto cita criacionistas (Impact, dezembro de 1980, n.º 90) sem quaisquer referências, e nenhum evolucionista 'reconhece' isso. Peça àquele seu vizinho matemático amigável uma explicação sobre teoria básica das probabilidades. :-)

Citação

A Vida -- Qual a Sua Origem? A Evolução ou a Criação? (1985), p. 110:

Mas, em realidade, nada mais era do que outro exemplo de variação no âmbito da espécie, permitida pela constituição genética do animal. Os tentilhões ainda continuavam sendo tentilhões. Não se transformavam em outra coisa, e jamais se transformariam.

A Verdade

Os tentilhões são novas espécies. [As várias espécies de tentilhões] não procriam entre si. Leia o verbete "Espécie" no livro Estudo Perspicaz das Escrituras e depois leia o ficheiro CB910: New species do arquivo talk.origins, onde encontrará outros exemplos de evolução ocorrendo hoje na vida real.1, 2


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