Notas Sobre o Livro Proclamadores

Alan Feuerbacher


Embora em geral esteja bem escrito e bem executado tecnicamente, grande parte do livro é uma compilação de anedotas e fragmentos de histórias, tudo misturado e com pouca continuidade aparente.

No estilo habitual da Sociedade, são escassas as referências para as fontes consultadas. Isto torna difícil ao leitor verificar a exactidão do que é dito.

O discurso que apresentou o livro na assembleia de distrito disse que este era um olhar cândido para a história das Testemunhas de Jeová. Embora o livro contenha alguma discussão relativamente cândida de material que anteriormente costumava ser escondido, foi deixada de fora muita informação que podia ter proporcionado uma imagem muito mais clara da história deles. Provavelmente a Sociedade ainda quer manter parte dessa informação escondida. Noutros casos a informação é apresentada de forma fragmentada e em pequenas quantidades, de forma que o leitor não vê nenhuma continuidade de pensamento. Existem muitos aspectos que vão passar despercebidos ao leitor menos atento.

A Igreja Católica (e especialmente o clero) é violentamente atacada do princípio ao fim do livro.

Referências Específicas

p. 45 (caixa) Stetson provavelmente era um Adventista, mas isto não é mencionado.

p. 46 § 2 Tenta dar a impressão de que Russell já acreditava na doutrina da presença invisível durante algum tempo antes de 1874, embora não seja dito nada explicitamente. A evidência aponta para a conclusão de que Russell só começou a acreditar na presença invisível depois do falhanço das expectativas que N. H. Barbour e alguns Adventistas tinham a respeito de Outubro de 1874. Veja Penton, Apocalypse Delayed, p. 310, nota 19; Jonsson, The Gentile Times Reconsidered, pp. 26, 27. Não é provável que Russell desconhecesse a predição de Barbour. É facto sabido que ele estava ao corrente das predições Adventistas; veja p. 132 § 5.

p. 46 § 3 Primeira vez em que é mencionado no livro a crença de que a presença de Cristo começou em 1874.

p. 47 § 2 Admite que Object and Manner foi publicado pela primeira vez em 1877, e não em 1873 como Jehovah's Witnesses in the Divine Purpose [As Testemunhas de Jeová no Propósito Divino] tinha afirmado. Veja pp. 557, 575. Veja Penton, p. 17. Veja os Índices das publicações da Watchtower, sob "Publicações, Brochuras da Watch Tower." O Índice de 1986-1990 não o menciona de todo, o Índice de 1930-1985 diz que foi publicado em 1873, o Índice de 1930-1960 diz que foi publicado em 1877 (!!!!)

p. 47 § 5 Não menciona absolutamente nada acerca da predição que Barbour e Russell fizeram no livro Three Worlds de que a ressurreição aconteceria em 1878. Contudo, isto é mencionado mais à frente no livro. Veja p. 632 § 1. Veja também a discussão alargada no fim destas notas.

Note-se que em toda a discussão neste capítulo 5, acerca do que eles acreditavam no período 1870-1914, não é dito absolutamente nada acerca dos pormenores do cálculo da data 1914. 606 A.C. não é mencionado. Provavelmente a intenção é evitar que as TJ comecem a questionar por que é que a data para o começo dos Tempos dos Gentios foi alterada de 606 para 607 A.C. e, mais incomodativo ainda, por que é que a destruição de Jerusalém foi recuada um ano. Este recuo é completamente injustificado, como mostram as discussões na p. 239 de The Truth Shall Make You Free [A Verdade Vos Tornará Livres] e na p. 171 de The Kingdom Is At Hand [O Reino Está Próximo]. Este último livro mentiu abertamente sobre este assunto.

p. 60 § 4 Fraseologia típica para minimizar a certeza e a amplitude das afirmações de Russell: "nem tudo o que esperavam estava directamente declarado nas Escrituras." A verdade é que nada do que eles esperavam estava sequer implícito nas Escrituras e a prova é que tudo o que eles esperavam que acontecesse, falhou.

pp. 67, 68 A distorção usual do cisma de 1917. Veja Penton, pp. 48-55.

p. 69 § 3-5 Tenta dar a impressão de que The Finished Mystery [O Mistério Consumado] era a verdade, quando na realidade era na maior parte lixo.

p. 76 (caixa) Descrição de Beth-Sarim, completamente enganadora e cuidadosamente expurgada de elementos embaraçosos. Nunca é mencionado que o principal objectivo de Beth-Sarim, conforme é dito em Salvation [Salvação] e noutras publicações, era servir de residência para os "príncipes." Nunca dizem que a escritura de Beth-Sarim foi feita em nome dos "príncipes." Muito provavelmente a verdadeira razão para se ter construído aquela casa foi, conforme o livro afirma, proporcionar uma residência para Rutherford. Mas como era uma mansão opulenta, tinha de ser dada aos adeptos na base da pirâmide hierárquica uma justificação plausível "das escrituras" para tal desperdício de recursos na época da grande Depressão dos anos 30.

Isto faz lembrar o que aconteceu com a distribuição de literatura nos Estados Unidos e nalguns outros países. A verdadeira razão por que agora essa distruibuição é gratuita, é devido a razões de ordem fiscal, provavelmente para evitar os problemas envolvidos em manter um registo de imposto sobre as vendas. Mas a razão oficial que foi dada para a alteração, foi do género "de graça recebestes, de graça dai."

Igualmente parecido é o novo arranjo de ajudadores para o Corpo Governante. Uma coisa simples como seja a distribuição do trabalho por outras pessoas é transformada em algo baseado e aprovado pelas escrituras e os ajudadores são chamados 'Netinins.' Esta prática não é senão uma maneira de arranjar justificações para o facto de que alguns membros gostam dos títulos e aparato da religião tradicional mas, sendo TJ, não os podem ter.

p. 78 § 3, 4 Dois curtos parágrafos, completamente enganadores, dedicados a "explicar" o fiasco de 1925. É inacreditável que a pessoa que escreveu estes parágrafos o possa fazer com um desprezo tão completo pela inteligência do leitor. Seja quem for que escreveu este livro, é um mestre de doubletalk [conversa dupla] eufemística.

p. 85 § 4 Rutherford denuncia a censura Católica, embora ele próprio a praticasse também e instituísse atitudes que persistem na organização até os dias de hoje.

p. 98 § 1 É usada a frase "era da expansão global." Este também é o título do capítulo 3 do livro Apocalypse Delayed [Apocalipse Adiado], de Penton.

p. 104 § 2-4 Descrição que tenta revelar o mínimo possível do fiasco de 1975. A frase "algumas [declarações] foram provavelmente mais taxativas do que seria aconselhável" é verdadeiramente espantosa!

p. 106 Reorganização do corpo governante. Veja p. 109. Compare com Crisis of Conscience [Crise de Consciência] de Raymond Franz.

p. 111 § 1 A versão da WTS dos sarilhos de 1980. Que descrição tão distorcida! É interessante que esta parte esteja escondida numa subsecção intitulada "Publicações bíblicas atendem às necessidades espirituais" (p. 110).

pp. 132-137 A primeira discussão detalhada em livro, das crenças a respeito do objectivo e da maneira da volta de Cristo e dos Tempos dos Gentios.

p. 132 § 4, 5 Não menciona que provavelmente foi o falhanço das predições de Barbour a respeito de uma vinda visível de Jesus que levaram Barbour e Russell a apregoar uma vinda invisível.

p. 133 § 4 Outra referência a 1874 como sendo o início da presença de Cristo. A nota de rodapé é muito enganadora; veja a discussão no fim destas notas.

p. 134 § 1 Outra declaração que tenta encobrir o que eles esperavam que acontecesse quando Cristo voltasse: "ainda não discerniam bem todos os pormenores."

p. 134 § 3 Diz que J. A. Brown relacionou os sete tempos de Daniel com os Tempos dos Gentios. O livro The Gentile Times Reconsidered, pp. 21, 22, contradiz directamente essa afirmação. Onde é que a WTS foi buscar a informação?

A obra de E. B. Elliot que menciona 1914 como uma data possível para os Tempos dos Gentios parece ser da primeira edição de Horae Apocalypticae, publicada em 1844, segundo Jim Parkinson, um Estudante da Bíblia de Glendale, Califórnia. O cálculo foi abandonado quando a quarta edição foi publicada, em 1851. A primeira edição não parece estar em nenhuma biblioteca dos Estados Unidos, mas pode bem estar na biblioteca do British Museum.

Robert Seeley parece estar associado com Elliot, pois "Seeley" é o nome de um dos editores da quarta e quinta edição da Horae.

Interrogo-me sobre o que é que Seiss terá realmente dito. É digno de nota que o livro menciona especificamente que a cronologia de Seiss foi mais tarde rejeitada por Russell. Será que os escritores deste livro não sabem que um resultado correcto ao qual se chegou atraavés de um raciocínio errado, não tem valor?

p. 134 § 4 Edições iniciais de Herald of the Morning são mencionadas. Onde é que eles foram buscar a informação? Têm cópias?

p. 134 § 5 A discussão não deixa claro que 1914 e o fim dos Tempos dos Gentios foram preditos como sendo o fim de uma série de importantes acontecimentos a partir de 1874.

p. 135 § 1-3 Mais conversa enganosa e tentativa de branqueamento das expectativas em relação a 1914. A primeira frase do primeiro parágrafo está errada. Russell durante muitos anos afirmou que sabia exactamente o que aconteceria em 1914 e não poupou esforços ao publicar estas afirmações. Ele chamou à sua cronologia, "datas de Deus." O parágrafo 3 é impagável: "Com variados graus de êxito, esforçaram-se em evitar ser dogmáticos a respeito de pormenores não declarados explicitamente nas Escrituras."

Pelo menos a Sociedade está de facto a dizer que as coisas estavam realmente complicadas, em vez de ignorar o episódio por completo.

p. 137 § 1 Discute, mas obscurece completamente, as mudanças que ocorreram a respeito de 1914. O leitor não é informado que em 1922 o tempo do início do reinado de Cristo foi mudado de 1878 para 1914. Não se diz que foi só em 1943 que a Sociedade adoptou finalmente a opinião de que a presença de Cristo começou em 1914, e não em 1874 (veja discussão alargada, no fim das notas). A impressão é que estas mudanças ocorreram rapidamente, em vez de terem ocorrido nos 29 anos seguintes.

p. 140 § 1, 2 Fica-se com a impressão que a descrição do Armagedom por Russell apontava para o futuro, quando na realidade ele afirmou que tinha começado em 1874. Não foi senão por volta de 1910-1913 que ele mudou a data do início do Armagedom para 1914.

pp. 142, 143 Descrição essencialmente correcta do ponto de vista de Russell acerca do "escravo," mas a p. 143 § 1 não está correcta ao dizer que Russell "pessoalmente evitou fazer tal aplicação do texto," conforme se pode constatar lendo este excerto da The Watch Tower de 1.º de Dezembro de 1916:

"Milhares dos leitores dos escritos do Pastor Russell acreditam que ele desempenhou a função desse "escravo fiel e sábio".... A modéstia e a humildade dele impediam-no de reivindicar abertamente este título, mas em conversas privadas ele admitiu que era o escravo."

p. 143 § 2 É surpreendente que o parágrafo cite a referência de Russell a si mesmo como o porta-voz de Deus. Contudo, o nosso conceito de "porta-voz" talvez seja diferente do de Russell. Veja p. 634 (caixa) § 4, para comentários de C. J. Woodworth a respeito de um ex-Estudante da Bíblia que fora honrado por Deus como "porta-voz." Veja p. 207 (caixa) § 2, para comentários de Russell indicando que os Anciãos eram porta-vozes de Deus.

p. 146 § 3 (e seguintes) Comentários-chave a respeito de nova luz, entendimento progressivo da profecia, etc. Parece que eles não se apercebem que este conceito pode ser aplicado por qualquer pessoa a quase todos os sistemas de crenças que se possam imaginar, e portanto não tem qualquer valor.

p. 147 § 1-3 Não se faz qualquer referência ao ponto de vista acerca das "autoridades superiores" que eles tinham antes de 1929. Contudo, esse ponto de vista é mencionado mais tarde; veja p. 190 § 1. Resulta daqui que a completa revira-volta não é mencionada toda no mesmo sítio do livro, de modo que o leitor menos atento não se apercebe da mudança.

p. 147 § 3 Tentativa de suavizar o flip-flop na questão das autoridades superiores. Como se os Cristãos não conhecessem o princípio da sujeição relativa até 1962!

p. 157 § 1 "Qualquer grupo ou indivíduo que fale em nome de Jeová se coloca sob a obrigação de transmitir a Sua palavra com veracidade."

p. 160 § 3 Parece que falam de um tipo inferior de Cristãos.

p. 163 § 1 Tentam obscurecer outra vez quais eram realmente as suas crenças a respeito de 1925.

p. 178 § 4 'As TJ devem sempre falar a verdade.' Hipocrisia da parte da Sociedade.

p. 184 Brochura a respeito do sangue.

p. 190 § 1 Admissão atrasada de que as "autoridades superiores" se referem a autoridades seculares. Por que é que isto não é admitido antes no livro, junto com os outros comentários sobre o mesmo assunto, na página 147? Como as referências estão separadas, o leitor provavelmente não se aperceberá do flip-flop.

p. 201 (caixa) Reconhecimento muito ténue sobre o que eles ensinavam acerca das pirâmides.

pp. 205-6 As mudanças nas opiniões de Russell acerca da organização. Esta é uma resposta clara às críticas que comparam as ideias iniciais de Russell acerca da organização com as de hoje. Anciãos electivos são estabelecidos pela primeira vez.

p. 206 § 2 É discutida a introdução do cargo de ancião electivo em 1895, por Russell, dizendo-se que este foi um "sábio conselho bíblico." Mas evitam cuidadosamente usar o termo "ancião electivo," e em vez disso diz-se que os anciãos eram "escolhidos," porque uma discussão mais adiante, nas pp. 212-9 diz que o cargo de ancião electivo foi eliminado na década de 1930 por não ser bíblico. Como é que o cargo pode ser "sábio conselho bíblico" em 1895 e tornar-se não-bíblico na década de 1930?

Os comentários nas páginas 213-4 e 217-9 revelam como os anciãos foram completamente eliminados, mas nunca o diz explicitamente. Toda a autoridade local foi conferida ao servo de companhia, ou de congregação. Os comentários deixam a impressão de que ainda existia um corpo de anciãos. É espantoso que alguém que era Testemunha de Jeová antes do arranjo de anciãos actual possa aceitar isto como uma descrição verdadeira.

p. 219 § 1 Comentário típico: "os fatos da história da actualidade já considerados mostram que este "escravo" emprega a Sociedade Torre de Vigia como instrumento legal." Os "factos" já considerados não mostram isto de maneira nenhuma.

p. 219 § 2 Em 1938 não existia Corpo Governante. Rutherford era a única autoridade governante e os directores eram mais para exibição do que outra coisa. Veja Crisis of Conscience, de Raymond Franz.

p. 220 § 2 Os comentários de Karl Klein são muito reveladores sobre ambos. Rutherford agia como se fosse Deus, embora fosse um alcoólico e um adúltero. O facto de Klein aprovar Rutherford mostra a sua verdadeira natureza. Mas vindo do homem que escreveu os infames artigos da Watchtower que compararam "nova luz" com um navio a navegar à bolina, faz sentido. Nenhum deles tinha qualquer respeito pela inteligência da Testemunha comum. Infelizmente, neste último aspecto talvez tivessem razão.

p. 222 § 1 Distorção completa de Actos capítulo 15.

pp. 228-9 Muita ficção acerca do Corpo Governante. Pode ter havido uma espécie de corpo governante genérico, pois Knorr e Franz não eram um só homem e porque existia um corpo de directores formal, mas usar a terminologia actual, com maiúsculas, é uma mentira completa.

p. 248 § 4 Diz que as publicações da WTS estão "disponíveis a todos," mas isto não é verdade. A Sociedade, através de anciãos locais, por vezes nega as publicações a pessoas de quem eles não gostam.

p. 425 § 5 Branqueia a predição de 1925 dada nos discursos dos "Milhões": "expressava a convicção de que o tempo para a realização dessa esperança estava bem próximo." Muito enganador para o leitor menos atento. Veja também p. 648. Esta menciona o discurso original, "O Mundo Acabou -- Milhões que Agora Vivem Talvez Nunca Morram." Muitas Testemunhas de Jeová teriam um choque se soubessem do texto completo destes discursos, que afirmavam que o tempo do fim tinha começado em 1799, etc. Este livro nunca menciona 1799 nem 1844.

p. 466 § 3 Curiosa fraseologia acerca das Testemunhas de Jeová como uma organização cultural no México. Aqui estão claramente a pisar ovos. Parece que não querem que se levantem nenhumas perguntas. Veja Crisis of Conscience, de Raymond Franz.

p. 509 § 1 Compare-se a última frase do parágrafo, a Rússia "por muito tempo foi considerad[a] pelo mundo como um baluarte do ateísmo," com as predições da WTS a respeito do cumprimento de profecias em Daniel acerca do rei do norte, etc.

p. 528 § 1 Comentários interessantes: a WTS estava tão preocupada com as necessidades espirituais de pessoas insignificantes, que até enviou um missionário só porque uma pessoa escreveu uma carta. Contraste-se isto com a recusa da Sociedade em responder, ou até reconhecer a recepção de cartas que lhes são enviadas por pessoas que discordam com eles. Qual destas duas situações é mais fácil resolver?

p. 560 Recorte do cabeçalho do jornal. Repare-se nas afirmações a respeito de The Finished Mystery [O Mistério Consumado], "lança uma torrente de luz adicional sobre as condições actuais." Dizem isto apesar de o livro ser lixo e estar cheio de especulações fantasiosas.

p. 568 § 1 Outra pretensão respeitante às Testemunhas de Jeová, Deus "colocara sua palavra em suas bocas."

p. 571 § 1, 2 Ignora outros significados para "de casa em casa" no Grego.

p. 602 Comentários interessantes acerca da crença da WTS de que a New World Translation em Inglês é tão exacta que pode ser usada como base para a tradução para outras línguas. Deixa implícito que o Grego e Hebraico Original não eram necessários.

p. 603 § 2 A Sociedade compromete-se a seguir a Palavra de Deus, a Bíblia, em vez de seguir as suas próprias ideias.

p. 610 § 4 Exalta as virtudes da Versão Interlinear do Reino por apresentar o significado original do texto Grego. Contudo, compare o modo como a palavra grega melle (cumprir) é traduzida em Marcos 13:4 e Lucas 21:7 com o modo com é traduzida em Revelação 10:7 na Tradução do Novo Mundo.

p. 620 § 3 A referência aos livros de Paton é muito confusa. Ele escreveu duas versões de Day Down [Aurora do Dia]. A primeira recebeu a aprovação de Russell e foi amplamente distribuída. A segunda foi escrita depois do rompimento entre os dois. Veja Penton, p. 23.

p. 621 § 1 A citação de Russell mostra como ele tinha um grande ego aos 29 anos de idade. Ele tinha tanta certeza que as suas próprias interpretações e crenças eram exactamente as de Deus, que quando outros as rejeitavam eram vistos como se rejeitassem Deus, em vez de Russell.

p. 621 § 3 Uma maneira dissimulada de atribuir a aprovação de Deus a Russell: "Certamente não se poderia esperar que Deus usasse C. T. Russell se ele não aderisse lealmente à Palavra de Deus." Usando o mesmo raciocínio, qualquer pessoa que afirme aderir à Palavra de Deus poderia alegar que está a ser usada por Deus de uma maneira especial. O que eles querem dizer é que Deus não usa pessoas iníquas para o representar. A Sociedade está a confundir deliberadamente uma questão específica -- saber se Deus usou Russell -- com uma questão genérica -- saber se Deus usa Cristãos leais. Veja o § 4.

p. 621 § 4, p. 622 § 1 A alegação implícita é que Russell era o canal visível de Deus porque defendia o resgate e rejeitava certos credos da Cristandade (trindade, imortalidade da alma).

p. 622 § 2 Tudo o que este parágrafo diz é que Russell era ecléctico no uso que fazia de várias doutrinas e era entusiástico ao divulgar os seus pontos de vista, especialmente a respeito da vinda de Cristo. O parágrafo, convenientemente, não menciona que a afirmação de Russell de que Cristo tinha voltado em 1874 era falsa e, por conseguinte, não bíblica. É espantoso que tais ensinos falsos possam ser usados como evidência de que Deus estava a usar o falso instrutor. O livro esquece que Russell tinha tendência para confundir a sua própria interpretação da Bíblia com revelação directa de Deus. Qualquer Testemunha de Jeová que hoje agisse como Russell, seria imediatamente desassociada e condenada como apóstata.

p. 622 § 3 Diz que Russell instou outros a verificarem os seus escritos cuidadosamente na Palavra de Deus, mas não diz o que Russell sugeria que fizessem se encontrassem discrepâncias. Ele disse que isso seria deslealdade a Deus. Actualmente a Sociedade imita Russell nesta conversa dupla.

É abordada a questão 'orientação versus inspiração.' Para todos os efeitos práticos são conceitos idênticos, mas Russell fazia uma distinção entre ambos e a Sociedade hoje faz o mesmo. Isto permite-lhes reivindicar as prerrogativas que pertencem a alguém que é inspirado, sem arcar com a responsabilidade inerente. Compare-se a citação apresentada no livro com a forma como os Estudantes da Bíblia deviam encarar os Studies in the Scriptures [Estudos das Escrituras]. Russell praticamente igualava os seus escritos à própria Bíblia. A citação que se segue é tirada do artigo "Is the Reading of the 'Scripture Studies' Bible Study?" [É a Leitura dos 'Estudos das Escrituras' o Mesmo Que Leitura da Bíblia?] da Watch Tower de 15 de Setembro de 1910, pp. 298-299 (pp. 4684-4685 nos Reprints).

Se os seis volumes de Studies in the Scriptures [Estudos das Escrituras] são praticamente a Bíblia ordenada por tópicos, com textos bíblicos dados como prova, podemos chamar apropriadamente aos volumes -- a Bíblia numa forma ordenada. Isto é, não são apenas comentários acerca da Bíblia, mas são praticamente a própria Bíblia....

Mais ainda, não só achamos que as pessoas não podem ver o plano divino estudando somente a Bíblia, mas pensamos também que se alguém deixar de lado os Scripture Studies [Estudos das Escrituras], mesmo que seja depois de os ter usado, depois de se ter familiarizado com esses livros, depois de os ter lido durante dez anos -- se ele depois os deixa de lado e os ignora e se vira somente para a Bíblia, embora tenha compreendido a Bíblia durante dez anos, a nossa experiência mostra que dentro de dois anos ele fica na escuridão. Por outro lado, se ele tivesse somente lido os Scripture Studies [Estudos das Escrituras] com as referências, e não tivesse lido uma página directamente da Bíblia, ele estaria na luz no fim desses dois anos, porque teria a luz das Escrituras.

Como é que Russell veria hoje a Watchtower Society, que deixou de lado os Scripture Studies [Estudos das Escrituras] há setenta anos atrás?

Mais à frente no artigo, depois de sugerir que as pessoas deviam verificar os Studies in the Scriptures [Estudos das Escrituras] contra a Bíblia, Russell disse:

Concluímos, praticamente, que não podemos compreender nada da Bíblia excepto depois de isso ter sido revelado. Por isso, não desperdiçamos uma grande quantidade de tempo fazendo o que sabemos que algumas pessoas fazem, lendo capítulo após capítulo, sem nenhum proveito. Nós não pensaríamos em fazê-lo. Não achamos de modo algum que estaríamos a estudar as Escrituras. Pensamos que estaríamos a seguir um proceder que não foi proveitoso para nós mesmos nem para outros no passado -- meramente lendo as Escrituras. Diríamos que se o mesmo Pai Celestial que nos guiou até esta verdade, até este entendimento das Escrituras como seus filhos, tivesse mais informação para nós, ele no-la traria à atenção de alguma forma; e por isso não vemos a necessidade de ler o novo Testamento todos os dias ou todos os anos; não consideramos isso necessário. Consideramos que a Escritura que diz, "Todos eles serão ensinados por Deus," implicaria que pela sua maneira designada Deus traria à nossa atenção qualquer aspecto da verdade divina que fosse "alimento no tempo apropriado" para a casa da fé.

Por outras palavras, Deus já tinha revelado a Russell tudo o que ele precisava de saber até aquela altura, e quando Deus quisesse que ele soubesse algo adicional, ele traria isso à atenção de Russell. Até lá, não havia necessidade de Russell ler a Bíblia, visto que já tinha tudo o que precisava. Não era ele, Russell, o mensageiro especialmente designado por Deus, o porta-voz de Deus? É claro que isto se aplicava especialmente aos Estudantes da Bíblia. Parece que Russell nunca leu Josué 1:8:

Este livro da lei não se deve afastar da tua boca e tu tens de o ler em voz baixa dia e noite, para que possas fazer segundo tudo o que está escrito nele; pois então farás bem sucedido o teu caminho e agirás sabiamente.

p. 622 § 4 Lançam descaradamente areia aos olhos do leitor ao discutirem a forma como Russell recebia a "direcção" de Deus. O livro usa a técnica eficaz da Sociedade, que lhes permite ganhar tempo, dizendo que "certa publicação antiga declara 'blá, blá, blá,' por essa razão a conclusão actual é a correcta." Isto torna desnecessário ao escritor ter de explicar as coisas, deixando o leitor que não compreende o que está a ser dito a pensar que deve ser estúpido pois não consegue acompanhar o argumento. Recordemos que o escritor deste livro está supostamente a apresentar evidência de que Russell era guiado por Deus.

O contexto da citação que aparece no § 4 muda consideravelmente a impressão que eles pretendem deixar no leitor. Na Watch Tower de 15 de Julho de 1906, p. 229, Russell escreveu:

São muitas as perguntas a respeito das verdades apresentadas em Millennial Dawn [Aurora do Milénio] e em Zion's Watch Tower [A Torre de Vigia de Sião]: de onde vieram e como é que se desenvolveram até atingirem as proporções simétricas e belas que têm hoje? Foram o resultado de visões? Será que Deus lhes deu de alguma forma sobrenatural a solução destes mistérios do seu plano? São os escritores algo mais do que seres normais? Será que eles alegam ter alguma sabedoria ou poder sobrenaturais? Como é que aparece esta revelação da verdade de Deus?

Não, caros amigos. Não reivindico nenhuma superioridade, nem poder, dignidade ou autoridade sobrenaturais; nem pretendo exaltar-me na consideração dos meus irmãos da casa da fé....

Não, as verdades que apresento como porta-voz de Deus não foram reveladas em visões, nem em sonhos, nem pela voz audível de Deus, nem todas de uma vez só, mas gradualmente, especialmente desde 1870 e de forma mais destacada a partir de 1880. Nem é este claro desabrochar da verdade devido a qualquer ingenuidade humana ou sagacidade de percepção, é antes devido ao simples facto de ter chegado o tempo de Deus; e se eu não falasse, e se não houvesse nenhum outro intermediário, as próprias pedras clamariam.

p. 623 § 2 Declara: "Com a proximidade de sua morte, ele não adoptou o conceito de que nada mais havia a aprender." Isto é verdade, com base em citações da WTS do período 1914-1916. Contudo, compare-se essa afirmação com a discussão anterior de Russell na Watch Tower de 15 de Setembro de 1910 citada acima, que disse que Deus já tinha revelado tudo o que Russell precisava de saber, e que quando Deus quisesse que ele soubesse mais, traria isso à atenção dele.

p. 623 § 3 Russell só se apercebeu que havia mais trabalho a fazer depois do colapso total das suas especulações cronológicas. A segunda frase do parágrafo tenta inserir no que Russell disse acerca de todos os verdadeiros Cristãos, o ponto de vista que a Sociedade tem hoje acerca de Cristãos "ungidos com o espírito." Devia-se ter respeitado o contexto da citação.

p. 624 § 4 É feita referência à "maneira franca e directa com que as novas matérias de estudo bíblico denunciavam a religião falsa." Isto pode estar a referir-se ao livro The Finished Mystery [O Mistério Consumado].

p. 626 § 1 Admitem que a própria The Watch Tower chamou a Russell "escravo fiel e discreto." A Sociedade está de parabéns por ser a primeira vez que admitem a existência de uma imperfeição na sua história. É pena que o resto do livro não seja tão honesto. Isto devia levantar algumas questões nas mentes das Testemunhas de Jeová acerca das pretensões da Sociedade referentes ao "escravo fiel e discreto" ter sido designado em 1919, etc., mas provavelmente não vai levantar questões nenhumas.

p. 626-628 A discussão devia ser contrastada com outras referências históricas.

p. 629 § 5 Um exemplo clássico de raciocínio tipo 'círculo vicioso' que é explorado em proveito próprio. O facto de observarmos mudanças prova que as mudanças têm de ocorrer. Visto que as mudanças têm de ocorrer, é de esperar que observemos mudanças. Isto é um navio a descrever círculos.

p. 629 § 6 Uma falsa analogia. Os servos de Deus do passado certamente não compreendiam todos os Seus propósitos, mas não especulavam acerca do que Deus não tinha revelado, nem depois exigiam que todos os outros servos de Deus aceitassem essas especulações sob pena de serem desassociados. Conforme Russell escreveu na p. 188 da Zion's Watch Tower [Torre de Vigia de Sião] de Fevereiro de 1881:

Se nós estivéssemos a seguir um homem, sem dúvida seria diferente; sem dúvida uma ideia humana contradiria outra e aquilo que era luz um, dois ou seis anos atrás seria agora considerado escuridão: Mas com Deus não existem oscilações, nem sombra de mudanças e o mesmo se passa com a verdade; qualquer conhecimento ou luz que vem de Deus tem de ser como o seu autor. Uma nova maneira de ver a verdade nunca pode contradizer uma verdade anterior. "Nova luz" nunca extingue "luz" antiga, mas aumenta-a. Se alguém estivesse a iluminar um edifício com sete focos de luz, não extinguiria um deles sempre que acendesse outro, antes adicionaria um ao outro, ambos estariam em harmonia e assim proporcionariam um aumento de luz: Com a luz da verdade passa-se algo semelhante; o verdadeiro aumento é feito adicionando um foco de luz a outro, não é por substituição.

p. 629 § 7 O argumento apresentado é razoável. Infelizmente, anula a pretensão da Sociedade de ser dirigida por Deus. Alguém que precisa de "oscilar" para trás e para a frente para chegar a um entendimento correcto da Palavra de Deus está claramente sob o seu próprio poder, não está sob o poder de Deus. Essa pessoa devia ser suficientemente humilde para o reconhecer.

p. 630 § 2 Mais raciocínio tipo 'círculo vicioso' a respeito da grande multidão. A grande multidão não podia ser identificada claramente senão depois de se ter começado a manifestar. Manifestou-se por ser claramente vista. Absurdo! Não admira que "os que criticavam severamente o irmão Russell tampouco entend[essem] esses assuntos."

p. 630 § 3, 4 Não dá ao leitor informação suficiente para perceber de que é que estão a falar. O leitor só é informado que teve lugar uma espécie de disputa. Depois a Sociedade decidiu adoptar um entendimento que permaneceu mais ou menos em vigor até hoje. De novo, Deus é deixado de fora deste procedimento.

Durante este tempo, a Sociedade tinha publicado várias declarações que indicavam que sabia mesmo do que estava a falar. Qual é o problema em dizer simplesmente, "Nós não sabemos o que isto significa"? A Sociedade não quer fazer isto porque quer ser elevada nas mentes dos seus aderentes ao nível de uma autoridade espiritual.

p. 631 Veja no fim destas notas a discussão mais alargada de algumas das especulações cronológicas de Russell mencionadas nesta secção.

p. 631 § 1 Algumas das esperanças e expectativas dos Estudantes da Bíblia foram ridicularizadas pelos críticos. O escritor gostaria de poder acrescentar, "mas isto era injustificado." É claro que não o pode dizer. O melhor que consegue balbuciar é que aqueles que promulgavam os ensinos falsos eram sinceros.

p. 631 § 2 Uma declaração clara de crenças básicas. O que não é dito é que Russell e Rutherford foram muito para além disto, fizeram especulações totalmente injustificadas e depois exigiram que os seus seguidores acreditassem nestas especulações como se se tratasse da verdade. Não haveria problema se essas especulações tivessem sido identificadas como isso mesmo -- especulações. A verdade é que os autores destas especulações não as viam como tal, mas antes como o produto da direcção de Deus sobre eles como indivíduos.

p. 631 § 3, 4 Novamente, usar a expressão "cronologia bíblica" para as especulações de Christopher Bowen e outros é um insulto à Palavra de Deus. O parágrafo induz o leitor em erro ao dizer que "certamente se haviam aproximado do alvorecer do predito milénio." Eles acreditavam que o milénio já tinha começado em 1874. Mais ainda, o parágrafo assume que 6.000 anos e o sétimo período de 1.000 anos têm algum significado. A antiga tradição rabínica está tão entrincheirada no pensamento da WTS que os escritores nunca chegam sequer a questionam isto. Mesmo depois do falhanço da predição de 1975 este ponto de vista foi pouco moderado. Note que, como de costume, o livro não dá nenhuma data como base dos cálculos cronológicos.

p. 631 § 5 Explicação das crenças que eles tinham originalmente a respeito dos ciclos dos Jubileus. Isto contribuiu para a alegação de que Cristo tinha regressado em 1874.

p. 632 § 1 É descrita a crença de que a ressurreição tinha ocorrido em 1878. Esta crença é um assunto sério, porque 2 Timóteo 2:18 indica que alguns no primeiro século que ensinavam que a ressurreição já tinha ocorrido, quando na realidade não tinha, foram classificados como homens que "se tinham desviado da verdade." A Sociedade usa este exemplo como base para rotular como apóstata qualquer pessoa que se afaste, ainda que ligeiramente, da sua política oficial. Pelo próprio padrão da Sociedade, Russell era um apóstata.

A segunda nota de fim de página diz que certos "paralelos" levaram à sugestão de 1915 como "ponto culminante de levante anárquico," e que esta nova data foi incorporada em versões revistas de Studies in the Scriptures [Estudos das Escrituras] a partir de 1914. O parágrafo não diz quando é que ocorreu esta mudança no entendimento, dizendo meramente que "foi declarado," mas podemos dizer que ocorreu por volta de 1912. Pode ver-se isto através das datas que aparecem no volume 2 dos Studies, cujas impressões do início de 1912 usam 1914 em todo o texto, versões do meio de 1912 têm em alguns lugares a data 1914 substituída por 1915, e nas versões do fim de 1912 encontramos a data 1915 substituída em todos os lugares, exactamente como nas versões de 1916. A Watch Tower de 1.º de Março de 1915 chamou a atenção para algumas destas mudanças (p. 5649 dos Reprints) e pode ter informação adicional. Ao não fazer referência às fontes, este livro encobre habilmente o facto de terem existido uns 35 anos entre as especulações originais acerca de paralelos e as especulações posteriores que levaram que se considerasse significativa a data 1915.

A evidência mostra que a data 1914 foi mudada para 1915 em alguns lugares muito simplesmente porque muitos dos acontecimentos que, segundo as predições de Russell, ocorreriam muito antes de 1914 nunca aconteceram e este falhanço forçou-o a repensar todas as datas. Isto tem algum apoio no material seguinte, retirado de uma Watch Tower de 1912. É provável que seja esta a fonte para os "paralelos" adicionais, que a nota de fim de página menciona.

A discussão vinha no seguimento de uma pergunta acerca da cronologia de Russell que foi feita já em 1904 -- Então e o "ano zero"? O período de 1 A.C. até 1 D.C. durava um ou dois anos? Russell discutiu isto, assim como um resumo da aplicação à sua cronologia, na Watch Tower de 1.º de Dezembro de 1912, pp. 377-378. Ele estava obviamente muito confuso acerca do assunto e disse que o fim dos tempos dos gentios podia vir tanto em 1914 como em 1915.

Visto que esta questão está a agitar as mentes de um número considerável dos nossos amigos, apresentamos aqui o assunto com algum detalhe. Relembramos os leitores, contudo, que nada nas Escrituras diz definitivamente que as tribulações sobre os Gentios serão cumpridas antes do fim dos Tempos dos Gentios, quer estes ocorram em Outubro de 1914 quer ocorram em Outubro de 1915. Sem dúvida que a tribulação será considerável antes do colapso final, embora esse colapso possa vir subitamente, tal como quando se lança uma pedra no mar. (Rev. 18:21) O paralelo entre a colheita judaica e a presente colheita confirma a ideia que a tribulação completa acontecerá por volta de Outubro de 1915.

Muitos dos nossos leitores lembrar-se-ão da nossa referência a este assunto num sermão que dei em Allegheny, Pa., em 11 de Janeiro de 1904, e que foi publicado na Pittsburg Gazette. O que se segue é um excerto desse sermão:

"Achamos, portanto, que os Sete Tempos da punição de Israel são o mesmo que os Sete Tempos do domínio Gentio; começam com a prisão de Zedequias e, como se verá pelo Quadro, terminam no ano 1915. Segundo as melhores evidências que é possível obter acerca deste assunto, combinadas com o testemunho das Escrituras, a prisão de Zedequias ocorreu em Outubro, 605 anos e 1/4 antes de A.D. 1. Se adicionarmos a isto 1914 anos e 1/4, obtemos Outubro 1915 como sendo a data para o fim da supremacia do mundo pelos Gentios -- o fim da licença de 2.520 anos, que não será renovada. Em vez disso, aquele que tem direito ao reino tomará posse dele. Portanto, este momento marcará o tempo em que o próprio Senhor assumirá o controle dos assuntos do mundo, para acabar com o reino do pecado e da morte, e para trazer a Verdadeira Luz."

Certamente existe espaço para ligeiras diferenças de opinião neste assunto e é nossa obrigação dar uns aos outros a maior tolerância. A licença de poder aos Gentios pode acabar tanto em Outubro de 1914 como em Outubro de 1915. E o período de intensa luta e anarquia "tal como nunca ocorreu desde que existem nações" pode ser o ponto final dos Tempos dos Gentios e o início do reino do Messias. [Veja Vol. 2, Scripture Studies.]

p. 632 § 2 Uma lição acerca de como branquear uma falsa profecia. Explica a base para a predição de 1925 como ainda outro mal entendido relacionado com os ciclos dos Jubileus. Tiram um coelho do chapéu: "Que feliz perspectiva!" É como se dissessem, "O Pai Natal pode vir neste 25 de Dezembro: QUE FELIZ PERSPECTIVA!"

p. 632 § 3 Lançam as culpas sobre a King James Version pelo facto de Russell ter feito uma cronologia errada. Veja a discussão no fim destas notas para mais detalhes. As notas de rodapé admitem que a cronologia de Russell estava completamente errada. A cronologia "corrigida" conduziu à predição de 1975. Note a repetição da tentativa hilariante de branquear a falsa profecia: "Isto mais tarde levou ao conceito -- às vezes declarado como possibilidade, às vezes mais firmemente -- que visto que o sétimo milénio da história humana começaria em 1975, os eventos associados com o início do Reinado Milenar de Cristo poderiam começar a ocorrer então."

p. 633 § 1 Admitem que as especulações estavam erradas e resultaram em desapontamento. "Desapontamento" é favor...

p. 633 § 2 Referem-se claramente a Raymond Franz, Ed Dunlap e outros. O parágrafo é de novo completamente enganador porque 1925 e 1975 são as únicas datas apresentadas. A maioria dos acontecimentos cruciais que são referidos como estando relacionados com 1975 na realidade ocorreram entre 1980 e 1983. Não tinham nenhuma relação com 1975. As dificuldades que Raymond Franz e alguns outros tiveram podem ter tido alguma relação com a data 1975, mas o material que eles publicaram mostra que outros factores foram muito mais importantes do que terem eles por fim deixado a Sociedade. É claro que a Sociedade não quer que os seus adeptos saibam a verdade e por isso descreve todos estes acontecimentos nos termos mais vagos que é capaz.

p. 633 § 4 Declaram que "algumas expectativas não se haviam cumprido." A verdade é que nenhumas expectativas se cumpriram, nem em 1914, nem em 1918, nem em 1925, nem em 1975, nem em nenhuma outra data intermédia. Apresentam a profecia de Daniel das 69 semanas como um exemplo de profecia cumprida. Isto levanta várias objecções. Primeiro, a "explicação" da Sociedade para a cronologia das 69 semanas tem aproximadamente o mesmo peso que as suas afirmações a respeito de 1914. Segundo, a profecia de Daniel deixa pouco para ser interpretado. Os acontecimentos associados com o início e o fim dos períodos envolvidos são claramente ditos. A única especulação envolvida era saber se as "semanas" são semanas de anos. Todos os comentadores concordam que são. As afirmações a respeito de 1914 estão numa categoria inteiramente diferente.

p. 634 Uma carta fascinante de C. J. Woodworth. É de notar que, apesar e ele ser maluco em muitos aspectos, fez um esforço para escrever a alguém que via em dificuldades espirituais. Contraste-se isto com a atitude actual da Sociedade de que qualquer dissidente não é digno de nenhum contacto.

O parágrafo 6 desta página indica uma vez mais que a crença dos Estudantes da Bíblia imediatamente a seguir a 1914 era que a guerra culminaria numa anarquia mundial. O último parágrafo não indica que Woodworth mais tarde era visto como um excêntrico. Veja Penton, p. 52.

p. 635 § 1 Outro argumento usado em proveito próprio. Dão uma imagem da predição de 1914 como algo único e maravilhoso. Na realidade, muitos anos dos séculos XIX e XX foram anunciados como o fim dos Tempos dos Gentios por alguém.

p. 635 § 2 Admitem que Russell acreditava que a velha ordem acabaria em 1914 e uma nova ordem começaria nesse ano.

p. 635 § 3 O sentido das frases citadas é grosseiramente distorcido ao deixarem de fora uma frase chave no fim. O parágrafo diz:

Em seu número de 15 de Outubro de 1913 The Watch Tower havia declarado: "Segundo o melhor cálculo cronológico de que somos capazes, é aproximadamente nessa época -- em Outubro de 1914, ou então mais tarde. Sem dogmatizar, estamos aguardando certos eventos: (1) O fim dos Tempos dos Gentios -- a supremacia gentia no mundo -- e (2) o início do Reino do Messias no mundo."

Isto é completamente enganador porque a frase imediatamente a seguir, nessa The Watch Tower (p. 5328 dos Reprints) diz:

Os reinos da Terra chegarão a um fim, e "o Deus do céu estabelecerá um reino."

Outras referência mostram que este reino seria terrestre, não seria celestial como o livro Proclamadores deixa implícito. Veja The Time Is At Hand [O Tempo Está Próximo], pp. 76-77, 101. Mais ainda, o mesmo número da Watch Tower continha uma introdução ao livro de Morton Edgar acerca de como a Grande Pirâmide apoiava a afirmação de que 1914 era o fim dos Tempos dos Gentios. Veja a p. 5336 dos Reprints.

p. 635 § 5 Outra falsa analogia. Os apóstolos em várias ocasiões tinham expectativas erradas mas não as ensinavam a outros. Jesus corrigiu-os assim que eles o interrogaram acerca disso.

p. 637 § 3 Introdução à secção que explica a importância de aderir ao trabalho de testemunho e à "organização teocrática." Afirmações muito auto-justificatórias deixam implícito que só tinham bom coração aqueles que aderiam aos métodos de pregação da Sociedade e acreditavam que aquela era verdadeiramente a organização de Deus.

p. 638 § 1 Menciona aqueles que "achavam estar abaixo da sua dignidade pregar de casa em casa." Mas Rutherford era o melhor exemplo desta atitude. Mesmo hoje muitos membros do Corpo Governante não pregam de casa em casa. Veja Crisis of Conscience, de Raymond Franz.

p. 638 § 4 Em 1932 o cargo de ancião electivo foi abandonado. É dada ênfase à palavra "electivo" porque o cargo de ancião designado foi instituído em 1971. Não dizem como é que os anciãos eram designados, só dizem que um director de serviço era designado pela Sociedade.

p. 639 § 3 Outra tentativa subtil de mistificação. "Corpo Governante" tem as letras iniciais em maiúsculas, quando na realidade em 1938 essas funções estavam conferidas somente a Rutherford. Dificilmente o quadro de directores poderia ser chamado um corpo governante. Nunca foi mencionado um "corpo governante" antes de 1944. Vejam-se os vários Índices de Publicações, sob "Testemunhas de Jeová, corpo governante." Estes indicam que a mudança oficial de cg para CG aconteceu em 1976. Veja também Crisis of Conscience, de Raymond Franz.

p. 640 § 1 Como é que a WTS sabe que a "obra" se aplica aos "nossos dias"? Devido às alegações de que estamos agora nos últimos dias e que as interpretações deles a respeito de Mateus capítulo 24, Marcos 13 e Lucas 21 estão correctas. Mesmo se estivéssemos nos últimos dias, esta suposição devia ser claramente dita.

p. 645 Começa a discussão da situação marital de Russell. Não é feita referência àquela que era provavelmente a verdadeira origem dos problemas -- a insistência de Russell num casamento "platónico" e o seu ego gigantesco. Não é feita referência a esta declaração proferida pelo Juiz presidente na decisão do tribunal que tratou do divórcio em 1908:

A sua conduta em relação à esposa evidencia um egoísmo tão insistente e um engrandecimento de si mesmo tão extravagante que é manifesto ao júri que a sua conduta em relação a ela era de contínua dominação arrogante, que transformaria inevitavelmente a vida de qualquer mulher Cristã num fardo e tornaria a condição dela intolerável.

p. 648 § 1 O discurso de 1918, "Milhões Que Agora Vivem Talvez Jamais Morram," é mencionado. Este uso de 'talvez jamais' em vez de apenas 'jamais' deu origem a alguma confusão nas assembleias de distrito de 1991 e 1992, porque 'jamais' sempre foi usado nas publicações.

p. 692 § 3 Descreve com aprovação a publicidade dada às tácticas dos opositores das Testemunhas de Jeová. Note o contraste com a p. 633 § 2, em que os opositores das Testemunhas de Jeová são ostracizados por darem publicidade aos erros cometidos pela organização.

p. 706 § 1 Declara que "os genuínos seguidores de Cristo nos nossos dias têm de ser humildes, dispostos a aceitar disciplina e, quando necessário, a fazer ajustes, para fazer com que sua maneira de pensar se harmonize cada vez mais com a de Deus." Em primeiro lugar, isto é uma falácia non-sequitur em relação às duas perguntas que o parágrafo levantou. Em segundo lugar, será que alguém pensa que o Corpo Governante está disposto a aplicar este conselho a eles mesmos?

p. 760 § 3 Declara que "a genuína congregação cristã teria de ser uma organização que se apega à Bíblia como autoridade principal, não que cita versículos dispersos, rejeitando os demais quando não se harmonizam com sua teologia contemporânea." Bem dito! Será que a Sociedade vai aplicar este padrão a si própria de agora em diante? Que dizer de todos os textos que ignora e que se relacionam com a doutrina de 1914?

p. 707 § 3 Enumera algumas das crenças fundamentais de Russell. Infelizmente, deixa de fora algumas que ele considerava fundamentais mas que foram abandonadas mais tarde, como as referentes às pirâmides. Felizmente para eles, este livro só menciona as pirâmides uma vez, na p. 201, embora esse fosse um aspecto proeminente na teologia de Russell e mereça mais do que uma menção passageira.

p. 708 § 1 Começa a discussão acerca de como as Testemunhas de Jeová são guiadas por Deus. Também apresenta uma questão chave que os críticos fazem acerca de 'ajustes no entendimento': "Se elas eram realmente escolhidas e dirigidas por Deus e se seus ensinos eram apoiados pela autoridade bíblica, por que foram necessárias essas mudanças? "

p. 708 § 2 Declara explicitamente que a organização das Testemunhas de Jeová não é inspirada.

p. 708 § 3 Contradiz o parágrafo anterior ao fazer uma distinção implícita entre ser 'inspirado' por Deus e ser meramente 'conduzido' ou 'guiado,' e depois alegam que "Jeová os conduz ou guia a esse entendimento por meio de seu espírito santo." Este é o ponto chave: uma declaração taxativa de que Deus os guia. Nenhuma outra explicação é dada acerca de como 'Jeová guia o seu povo.'

p. 708 § 4 Falsa analogia com uma sala escura, e mais raciocínio tipo 'círculo vicioso.' Como é que sabemos que Jeová ilumina o seu povo gradual e progressivamente? Porque é assim que ele tem feito com as Testemunhas de Jeová. Veja p. 709 § 1. Não mencionam a opinião de Russell: "Uma nova maneira de ver a verdade nunca pode contradizer uma verdade anterior. "Nova luz" nunca extingue "luz" antiga, mas aumenta-a."

p. 708 § 5 Compara novamente a falta de entendimento dos servos de Deus dos tempos antigos com as Testemunhas de Jeová. Mais uma vez não mencionam que não há registo de aqueles servos antigos terem censurado e perseguido aqueles que se recusavam a aceitar os seus equívocos.

p. 709 § 1 Bonitas palavras acerca de a verdade continuar inalterada apesar dos equívocos dos servos de Deus.

p. 709 § 2 Alegações de que foi o "zelo e entusiasmo pela vindicação da soberania de Jeová" que "causaram expectativas prematuras sobre quando viria o fim do sistema iníquo de Satanás." Branqueamento! Zelo e entusiasmo por Deus de certeza que não têm de levar às especulações proféticas grosseiras em que a Watchtower Society se tem envolvido. A Bíblia não regista nada de semelhante.

p. 709 § 3 Um argumento chave na questão de saber se a Sociedade é um falso profeta. Compara outra vez a simples questão dos discípulos de Jesus acerca da iminência do Reino nos seus dias com a especulação grosseira que a Sociedade tem forçado os seus adeptos a aceitar. Isto é um completo disparate! A Sociedade tem pregado estas falsidades por todo o mundo durante muitas décadas. Tem desassociado e rotulado de iníquos quaisquer membros que discordem publicamente com estas falsas profecias. Não há qualquer comparação possível.

p. 709 § 4 Enumera os requisitos para a única religião verdadeira. Como seria de esperar, estas são precisamente as doutrinas das Testemunhas de Jeová, portanto aqui não há nada de surpreendente. Eles não mencionam que várias outras religiões também satisfazem estes requisitos.

p. 711 § 5 Falam do amor que as Testemunhas de Jeová têm umas pelas outras. Mas basta uma ordem e este amor pode ser desligado ou ligado tal como se fosse um interruptor. A Sociedade só tem de carregar no interruptor.

p. 713 § 4 Diz que as Testemunhas de Jeová "persistem em pesquisar as Escrituras com mente aberta." O tempo o dirá.

O Erro de 100 Anos na Cronologia de Russell, Que o Livro Proclamadores Atribui à King James Version

A partir da p. 631, o livro Testemunhas de Jeová -- Proclamadores do Reino de Deus discute parte do desenvolvimento da estrutura da cronologia usada por C. T. Russell. É claro que esta cronologia foi abandonada quase por completo porque pesquisas posteriores mostraram que não era de modo nenhum bíblica, mesmo na época em que foi pela primeira vez elaborada. Numa tentativa de suavizar este facto e para dar a impressão de que a cronologia tinha de facto base bíblica, o livro diz o seguinte a respeito das esperanças e expectativas dos Estudantes da Bíblia quanto à época em que muitas das suas crenças teriam cumprimento:

Era natural que devessem se perguntar quando e como essas coisas ocorreriam. Forneceram as Escrituras algumas pistas?

Usando a cronologia bíblica originalmente elaborada por Christopher Bowen, da Inglaterra, eles pensavam que 6.000 anos de história humana terminara em 1873, que depois disso estavam no sétimo período de mil anos de história humana, e que certamente se haviam aproximado do alvorecer do predito Milénio. A série de livros conhecidos como Millennial Dawn (Aurora do Milénio) e mais tarde chamados de Studies in the Scriptures, escritos por C. T. Russell, chamara a atenção às implicações disso segundo o que os Estudantes da Bíblia entendiam das Escrituras. (p. 631 § 3, 4)

Note que o livro Proclamadores chama à cronologia de Bowen, "cronologia bíblica." Isso é como chamar à crença no inferno de fogo uma doutrina bíblica.

Outra coisa tida como possível indicadora de tempo dizia respeito ao arranjo que Deus instituíra no Israel antigo para um Jubileu, um ano de libertação, a cada 50 anos. Este se dava depois de uma série de sete períodos de sete anos, cada qual terminando com um ano sabático. Durante o ano do Jubieu, os escravos hebreus eram libertados e as posses de terra hereditária que haviam sido vendidas eram recuperadas. (Lev. 25:8-10) Cálculos baseados nesse ciclo de anos levaram à conclusão de que talvez um Jubileu maior para toda a Terra começara no outono setentrional de 1874, que o Senhor evidentemente retornara naquele ano e estava invisivelmente presente, e que os "tempos da restauração de todas as coisas" haviam chegado. -- Actos 3:19-21, Almeida, actualizada. (p.631 § 5)

[Nota do tradutor: na edição Inglesa, o livro não menciona a versão Almeida, actualizada, da Bíblia, menciona a King James Version. Isto é importante para se perceber a tentativa da WTS de lançar sobre esta versão da Bíblia as culpas pelos erros na cronologia de Russell.]

A seguir (p. 632 § 1) são discutidos outros aspectos da cronologia de Russell, como a sua afirmação de que a ressurreição tinha começado em 1878. Finalmente, é discutido um novo entendimento dos ciclos dos Jubileus. (p. 632 § 2) Este tornou-se a base para a predição falhada de Rutherford que apontava para 1925 como sendo "o fim do mundo."

Na p. 632 § 3, o livro Proclamadores diz:

Mais tarde, durante os anos de 1935 a 1944, uma revisão do esquema geral da cronologia bíblica revelou que uma má tradução de Actos 13:19, 20 na King James Version,* junto com certos outros factores, causara um erro de mais de um século na cronologia.#

As notas de fim de página dizem:

* Veja a tradução na The Emphasised Bible, traduzida por J. B. Rotherham; veja também a nota em Atos 13:20 na Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas -- Com Referências.

# Veja "A Verdade Vos Tornará Livres", capítulo XI; "Está Próximo o Reino", páginas 171-6; também The Golden Age, 27 de março de 1935, páginas 391, 412. À luz dessas tabelas de cronologia bíblica corrigidas, pôde-se ver que os anteriores usos das datas de 1873 e 1878, bem como de datas relacionadas derivadas destas à base de paralelos com eventos do primeiro século, baseavam-se em equívocos.

Como é costume no livro Proclamadores, a informação que é dada ao leitor é filtrada para que este fique com uma imagem difusa do que realmente se passou. As coisas que se fizeram são descritas usando verbos no pretérito imperfeito e as pessoas que fizeram essas coisas não são mencionadas. Isto lança um confortável anonimato sobre essas acções e isola os responsáveis daquilo que fizeram. É tudo visto através de um véu de obscurantismo.

O parágrafo 3 da p. 632 dá a impressão que a cronologia usada por Russell e pelos Estudantes da Bíblia ficou invalidada por um factor fora do seu controle, nomeadamente, "uma má tradução de Atos 13:19, 20 na King James Version." Veja também a nota de rodapé na p. 133. Mas isto só era um problema para Christopher Bowen, não era problema para qualquer pessoa que tivesse acesso a traduções da Bíblia mais recentes, baseadas em antigos textos gregos que estavam a surgir naquele tempo (séc. XIX). Por exemplo, a Emphatic Diaglott, publicada pela primeira vez em forma completa em 1864, tinha uma nota na margem mostrando um modo alternativo de traduzir Atos 13:19, 20 a partir do "Manuscrito Vaticano," que não estava disponível aos tradutores da King James Version mas que é a base da New World Translation [Tradução do Novo Mundo] da Sociedade. Este modo alternativo de traduzir era parte da base para as alterações que a Sociedade fez na sua cronologia entre 1935 e 1946. Esse modo alternativo de traduzir veio a luz já em 1775, quando o primeiro dos textos gregos de J. J. Griesbach se tornou disponível. Este texto foi a base para a Diaglott. É claro que tanto N. H. Barbour como C. T. Russell conheciam bem a Diaglott, porque o facto de esta traduzir a palavra grega parousía como "presença" era a base para a doutrina da "presença invisível" de Cristo, que eles defendiam. Eles conheciam esta tradução bastante bem.

Será que a Emphatic Diaglott era a única tradução que apresentava uma maneira alternativa de traduzir Actos 13:19, 20? De maneira nenhuma. Depois de 1850 tornaram-se disponíveis muitas traduções que usavam os textos gregos mais recentes. O bem conhecido texto de Westcott e Hort, que hoje é o texto padrão, tornou-se disponível em 1881, embora outros estivessem disponíveis muito antes. A English Revised Bible, que usava os textos gregos mais recentes naquela época, saíu em 1885, e muitas outras Bíblias que usavam os textos mais recentes ficaram disponíveis por volta de 1900. A American Standard Version, que era uma edição corrigida da English Revised Bible, foi publicada em 1901. Segundo o livro Proclamadores (pp. 604-606) a Sociedade estava a distribuir várias Bíblias em 1896, de entre as quais as seguintes usavam os textos gregos mais recentes para traduzir Actos 13:19, 20.

  • Tischendorf's New Testament
  • Variorum Bible
  • Rotherham's translation
  • Holman Linear Parallel Edition containing the English Revised Version
  • Emphatic Diaglott

Portanto, embora Christopher Bowen possa ser desculpado por ter publicado uma cronologia incorrecta, tal desculpa não existe para N. H. Barbour no início da década de 1870 e menos ainda para a Watchtower Society depois de 1900. É absolutamente óbvio que a única razão por que a cronologia foi mantida apesar de estarem disponíveis traduções correctas é que essa cronologia já se tinha tornado uma doutrina estabelecida e era vista por Russell como sendo divinamente inspirada. A respeito destas datas, a Zion's Watch Tower [A Torre de Vigia de Sião] de 15 de Julho de 1894 disse na p. 226, sob o subtítulo "Can It Be Delayed Until 1914?" [Pode Ser Adiado Até 1914?]:

Não vemos razão para mudar os números -- nem os poderíamos mudar se quiséssemos. Acreditamos que estas são as datas de Deus e não as nossas.

A nota de rodapé assinalada com um asterisco, citada acima, admite inadvertidamente que esta informação já era conhecida antes da mudança na cronologia. A nota de rodapé assinalada com o símbolo # remete-nos para várias outras referências. Curiosamente, o capítulo XI de The Truth Shall Make You Free [A Verdade Vos Tornará Livres] publicado em 1943 [1946 em Português], cita Actos 13:19, 20 da American Standard Version e não faz nenhuma referência a quaisquer mudanças no entendimento em relação a publicações anteriores, nem em relação à King James Version, nem em relação à Diaglott. As páginas 171-176 de The Kingdom Is At Hand [Está Próximo o Reino] publicado em 1944, que a nota de rodapé menciona, também não explicam isto. Limitam-se a apresentar as conclusões como se fossem um dado adquirido.

Parece que a tarefa de explicar o que aconteceu foi deixada para o livro de 1973 [1975 em Português] intitulado God's Kingdom of a Thousand Years Has Approached [Aproximou-se o Reino de Deus de Mil Anos]. O capítulo 11 contém uma explicação do raciocínio por detrás da matéria exposta nos livros anteriores. O livro dá uma explicação nas pp. 206-211, que não será aqui reproduzida. Basta dizer que é evidente uma discrepância de 100 anos entre o período de 450 anos dos Juízes, conforme mencionado na tradução que a King James Version e a Diaglott fazem de Actos 13:19, 20 e os 350 anos calculados na discussão que o parágrafo 51 apresenta. O livro Proclamadores diz que a discrepância se ficou a dever a uma má tradução destes versículos na King James Version, mas o livro Aproximou-se o Reino de Deus de Mil Anos declara taxativamente que o erro se deveu a terem eles seguido a sugestão de uma nota de rodapé na The Emphatic Diaglott. O parágrafo 52 diz que a King Kames Version concorda com a Diaglott, mas fica-se com a impressão que o argumento da Diaglott foi o factor decisivo. Portanto o livro admite claramente que existiram factores que tornaram possível que se chegasse a uma cronologia correcta, se se tivesse dado a devida atenção a toda a informação relevante que na altura já estava disponível. É inevitável que nos interroguemos: Se a informação correcta já estava disponível a N. H. Barbour e a C. T. Russell, por que é que o espírito de Deus não os guiou a um entendimento correcto? Será que Deus queria realmente que o entendimento correcto lhes ficasse escondido durante uns 70 anos, até 1943?

O livro Aproximou-se o Reino de Deus de Mil Anos também só menciona C. T. Russell como tendo feito estes cálculos. Não é feita nenhuma referência a N. H. Barbour, nem a Christopher Bowen nem a qualquer outro assim chamado cronologista bíblico daquele tempo. Este é outro exemplo das tentativas da Sociedade no passado de dar o crédito a Russell pela origem de todos os seus ensinos, em vez de os atribuir a vários Adventistas e outras fontes. A Watchtower Society está de parabéns por rectificar isto no livro Proclamadores.

Continuemos a nossa discussão do livro Proclamadores. Uma omissão grave é que este livro não diz nada ao leitor acerca da tradução alternativa para Actos 13:19, 20, mencionada na Diaglott, conforme foi discutido acima. Em vez disso, lançam-se as culpas pelo erro sobre a King James Version. Se esta tradução alternativa tivesse sido seguida, teria forçado toda a cronologia de Barbour e de Russell a avançar para a frente 100 anos. A presença de Cristo teria de começar em 1974 e não em 1874. É claro que este não era um resultado desejável e por isso em vez de avaliar honestamente ambos os modos de traduzir aqueles versículos, que estavam disponíveis na The Diaglott, eles usaram a tradução incorrecta, mas reconfortante, de Actos 13 como base para os seus cálculos.

Esta discussão traz a lume outro problema no livro Aproximou-se o Reino de Deus de Mil Anos. Este diz que o erro no cálculo do início da presença de Cristo se ficou a dever a informação inexacta na Diaglott. Contudo, a diferença entre 1874 e 1914 é de 40 anos, não é 100. No parágrafo 55, o livro salta por cima da explicação de como a data 1874 foi alterada para 1914 como o início da presença de Cristo. Em vez de explicar como é que a discrepância de 100 anos se encaixa nesta questão, o livro limita-se a dizer:

No ano de 1943 (em português em 1946), a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados publicou o livro "A Verdade Vos Tornará Livres". No capítulo 11, intitulado "A Contagem do Tempo", eliminou a inserção dos cem anos do período dos Juizes.... Naturalmente, eliminou o ano 1874 E. C. como data da volta do Senhor Jesus Cristo e do começo de sua presença ou parusia invisível.... Então, que dizer da parusia (presença) de Cristo? Na página 330, o livro mencionado diz positivamente: "A presença ou parousia do Rei começou em 1914." Também, na Sentinela... faz-se a declaração: "... Messias, o Filho do Homem, veio no poder do Reino em 1914 E. C., o que constitui a sua segunda vinda e o princípio da sua segunda parousia ou presença."

Assim, com este expediente -- "o livro mencionado diz positivamente..." -- o autor do livro Aproximou-se o Reino de Deus de Mil Anos esquiva-se a dar uma explicação difícil. Aconteceu algo muito semelhante no livro de 1944 intitulado The Kingdom Is At Hand [Está Próximo o Reino]. Na p. 171 este livro disse que o livro The Truth Shall Make You Free [A Verdade Vos Tornará Livres] tinha explicado como é que a Sociedade mudara a data da destruição de Jerusalém do Verão de 606 A.C. para 607 A.C. Mas o livro A Verdade Vos Tornará Livres não explicou nada disso e portanto a Sociedade nunca deu uma razão para a mudança, embora tenha afirmado o contrário. Foi usada a mesma táctica ao mudarem a data para o começo da profecia das 69 semanas até à vinda do Messias, de 454 para 455 A.E.C., em meados da década de 1940.

A nossa discussão mostra ainda outros pontos interessantes. O parágrafo 49 do livro Aproximou-se o Reino de Deus de Mil Anos baseia-se em várias suposições que nem sequer menciona e que são todas infundadas. Embora a Bíblia nunca o diga, o livro assume que Russell estava correcto ao atribuir 7.000 anos a um período de tempo "mágico." Por outras palavras, assume que existem exactamente sete milénios numa "semana" da criação. Esta noção remonta ao pensamento rabínico Judeu. O próprio Russell sabia que isto não passava de uma suposição, mas os sucessores dele parecem ter esquecido isto. Ele escreveu em The Time Is At Hand, p. 39:

Embora a Bíblia não contenha nenhuma declaração directa dizendo que o sétimo milénio será a época do reino de Cristo, o grande Dia Sabático de restituição para o mundo, ainda assim a venerável tradição não é desprovida de fundamento razoável.

A Sociedade aplicou esta "venerável tradição" à sua predição de 1975 e o fiasco que daí resultou é conhecido de todos os estudantes de religião.

Se pensarmos um pouco vemos imediatamente como aquela suposição não é nada razoável. Quando Deus criou a Terra, "todos os filhos de Deus começaram a bradar em aplauso." (Jó 38:7) Portanto, os anjos já existiam quando Deus criou o homem e sabiam a data exacta em que isto ocorreu. Por essa razão, se o sétimo milénio correspondesse ao reinado de Cristo, os anjos saberiam quando é que este sétimo milénio começaria, saberiam a data do Armagedom e saberiam também qual era "aquele dia e aquela hora" que Mateus 24:36 menciona. Mas como Mateus 24:36 diz que "quanto àquele dia e àquela hora ninguém sabe, nem os anjos do céu nem o filho do Homem, mas somente o Pai," não pode haver correspondência entre o reino de mil anos e o sétimo período de mil anos da história humana.

É óbvio que as publicações da Sociedade, mesmo este livro de história (a respeito do qual se disse, no discurso público que precedeu o seu lançamento, que era um olhar cândido sobre a história das Testemunhas de Jeová), não dão uma perspectiva completa a respeito das muitas especulações cronológicas que a Sociedade adoptou ao longo dos anos.


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