Os Dez Mandamentos São Fósseis Morais

Charles W. Webb, M.D.


Ninguém acredita realmente nos Dez Mandamentos de Moisés. A maioria de nós nem sequer se consegue lembrar deles, e muito menos dizer quais eram as punições por infringi-los. Se soubéssemos quais eram estas punições, daríamos meia volta, desgostosos, e procuraríamos um guia mais civilizado para a moralidade.

Por exemplo, se o seu ente querido vai ao hospital num dia de "Sabbath" [Sábado], todas as enfermeiras e médicos que trabalham para salvar uma vida estão a violar o quarto mandamento. Qual é a punição para eles, conforme prescrita pelo Deus do Velho Testamento? A morte. (Êxodo 31:15 ou Números 16:32-36) E como o islão, o judaísmo e o cristianismo são todos derivados da antiga lei de Moisés, os Sabbaths agora incluem a Sexta-feira, o Sábado e o Domingo!

Se você for a uma igreja e rezar para uma imagem de Jesus ou para uma cruz, a sua recompensa por violar a lei número 2 é a morte. Se o seu pai está frustrado e toma o nome de Deus em vão (seja lá o que for que isso signifique), a sua punição por violar a regra número 3 é a morte. Se uma adolescente é teimosa e rebelde ou se amaldiçoar os seus pais, a punição dela por violar a regra número 5 é a morte. (Êxodo 20:9 ou Êxodo 21:17) Nas palavras do filósofo Michael Earl, "Que me diz sobre estes valores familiares?"

Então por que razão nos apegamos a essas tradições fossilizadas como a Bíblia e os Dez Mandamentos? Penso que é devido à nossa necessidade de símbolos. Nós gastamos os primeiros dez ou vinte anos das nossas vidas simplesmente aprendendo os nossos símbolos culturais (palavras, números e imagens). Somos realmente a espécie símbolo, Homo symbolicus. Esta é a nossa grande força e a nossa grande fraqueza. Temos a capacidade de comunicar inúmeras idéias, no entanto, confundimos símbolos com a realidade. Pensamos que compreendemos algo simplesmente porque conseguimos nomeá-lo.

Somos muito facilmente enganados por símbolos que satisfazem as nossas necessidades emocionais. Todos temos uma necessidade de símbolos que proclamem a nossa bondade, mas na nossa preguiça muitas vezes trocamos a integridade pela conveniência da tradição. Daí a crença comum mas superficial num "livro bom" simbólico e nos "Dez Mandamentos". A maioria de nós foi ensinada que a Bíblia é tanto amorosa como boa antes de termos idade suficiente sequer para lê-la ou examiná-la por nós mesmos. Mas a Bíblia não é realmente amorosa e boa: o mandamento número 1 exige que qualquer pessoa que adore qualquer religião diferente da religião de Moisés seja morta. Há algumas palavras na história da humanidade que tenham causado tanto mal como essas?

A maioria de nós concordaria com os últimos cinco mandamentos de Moisés (não mates, não cometas adultério, não roubes, não mintas, não cobices a casa e a esposa do teu próximo). No entanto, quem se lembra do maior criminoso de todos no Antigo Testamento, aquele que se jacta em Números 31 de ter [ordenado] a morte de [milhares de] homens, mulheres e crianças inocentes, o saque de uma cidade inteira, e a cobiça e a violação todas as raparigas virgens? Claro que foi Moisés, o próprio dador da lei... Algumas coisas nunca mudam.

Não precisamos de proclamar a nossa bondade por professarmos fé na Bíblia, da mesma forma que não precisamos de usar fatos e gravatas amarelas quando pretendemos fazer negócios. Podemos encontrar mais sabedoria em William Shakespeare e em Robert Ingersoll e mais amor em Mahatma Gandhi e Martin Luther King do que em quaisquer livros de religião.


Índice · Tradução © 2001 João Rodrigues · http://corior.blogspot.com/2006/02/str-biblia-os-dez-mandamentos-sao.html